Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

passeio.

Ainda não sei o que quero ser quando for grande para além de mim. Ainda não sou o que quero ser mas o que quero ser não sei. 

Às vezes gostava que a vida fosse só isto, passear de mão dada pelas ruas da cidade. Lisboa para mim nunca foi saudade, como lhe escrevem as paredes. Lisboa é o encontro dos que ficaram. Onde brota o amor e onde se guardam os segredos.

Tal como Lisboa, não há chuva nem sol que limite o amor, o nosso. Não sei o que quero ser mas o que serei, quero sê-lo contigo. Com espaço para os demais sem que nos roubem espaço de mais. Numa casa feita de nós: de música, de palavras, de prazeres, de sonhos. Quero o teto pintado de azul para que possa à noite colocar-lhe estrelas. Uma parede branca para que possamos preenchê-la com momentos. Quero uma sala vazia só para poder enchê-la de ti. Ver o teu sorriso do tamanho do sol sempre que me abordas ou acordas.

Gostas de viver na utopia de uma perfeição que sabes que não tenho, e na vida, acreditas que existam muitos prazeres mas o maior certamente é amar-me. 

Eu, só te conheço no amor, nunca te conheci noutra forma ou lugar por isso não sei se o amor existe para além de ti. Nem quero. 

Às vezes gostava que a vida fosse só passear de mão dada pelas ruas da cidade. Mas depois penso que contigo, a vida só pode ser isso mesmo: um passeio. Passos cheios de nós.

numa rua qualquer.

Abordam-me dois miúdos de origem cigana a lamentar a bola que sem querer chutaram para o quintal do vizinho. E agora? - perguntam-me. Mais logo à noite toquem à campainha, provavelmente já estará alguém em casa - respondo com um sorriso. O que vale é que temos outra bola, mas gosto mais da laranja - conclui a menina.

Continuaram a caminhar ao meu lado, davam-me pela cintura e dirigiam-se para o mesmo sítio que eu - o parque mais bonito que tenho perto. 

Disseram-me que iam ter com outro irmão, mais novo, que já lá os esperava. Quando chegámos lá foram os rapazes a correr atrás da bola azul. Corriam muito. Quando somos crianças não pensamos em quanta energia gastar, não pensamos no dia de amanhã, nem que amanhã estaremos cansados se dispendermos tanta energia hoje. Quando somos crianças só pensamos em divertir-nos, e que gastemos quanta energia tenhamos.

A menina continuou comigo e não parecia ter pressa. A pressa. A pressa também é algo que desconhecemos enquanto crianças. Os adultos parecem querer fazer tudo depressa, como se as coisas deixassem de existir ou o tempo. O tempo, como se tempo tanto faltasse.

"Tens mãe?" - perguntou-me. 

"Tenho sim." - sorri-lhe.

"Pensei que não tinhas, como estás sozinha..."

Mais uma vez sorri, invejando a ingenuidade dos seus 7 anos de idade, enquanto retrocedia no tempo à procura de mim.

Pediu-me para empurrar o seu baloiço enquanto me dizia que se chamava Margarida. Margarida é uma flor muito bonita - disse eu. A minha irmã também se chama Margarida, a minha mãe ontem foi para o hospital tê-la. - respondeu-me. 

Não sei que entusiasmo era maior - o de ter uma irmã nova ou de ela se chamar Margarida.

Disse-lhe que tinha 19 anos, vi que ficou baralhada, não sabia quantos eram mas tinha a sensação que eram muitos.

Fiquei muito mais tempo a invejá-la do que a ouvi-la porque ainda agora a invejo. Os tempos com os meus dois irmãos a brincar na rua, a infância plena e feliz que tive. Quando não havia problemas. Nem responsabilidades.

Fiquei largos minutos a empurrá-la enquanto a ouvia falar sobre tudo. Sobre tudo o que uma criança de 7 anos fala. Vi nos olhos dela que ela é feliz, eu fiquei feliz por percebe-lo.

Só espero que o tempo deles demore a passar, para que não conheçam a maldade no mundo, espero que eles não saibam tão depressa o que isso é. Espero que o tempo não lhes roube a ingenuidade toda e espero que em crescidos continuem a sorrir muito. Espero que daqui a uns anos possam ser eles a empurrar o baloiço de uma criança qualquer que os aborde na rua, e tal como eu, espero que os invejem, mas só no bom sentido, e que esse encontro os faça recuar no tempo ao pensar o quão felizes foram. Eu ainda sou.

 

longe.

A vida obrigou-te a crescer, longe de quem tu um dia prometes-te nunca deixar. E não deixas-te, mas faltas-nos. 

Aí só sobrevives, entre um emprego a que te obrigas e todas as mágoas que aí foste conhecer. 

Já nem é o clima nem a comida, as pessoas nem a língua, mas as desilusões que a cada esquina te recordam que estás vivo: porque doem.

Amigo, não acho que a vida esteja a ser justa contigo. Já não o foi aqui. Quando viste partir teu pai que não voltou enquanto tua mãe trabalhava dia e noite para vos manter com teto, luz e comida. Não o foi quando me mandas-te mensagem a dizer que quem mais amas-te tinha morrido e me apareces-te a chorar. Acho que o teu brilho perdeu-se nesse dia, não mais te encontrei.

A vida não foi justa contigo, quando te obrigou a partir para um país que desconhecias e que tiveste a coragem de enfrentar. Mas foste, foste ter com quem acabou por te desiludir tanto.

Aí estás tu, a lutar pelo regresso, enquanto que cá, a tua mãe luta com as armas que tem por um cancro agressivo que veio em má altura. Nunca é boa altura para se ter cancro, mas agora acabou de dar à luz um irmão que ainda não conheces-te. Às vezes falo com a tua irmã e acho que a vida também a obrigou a crescer rápido. Sei que ela morre de saudades tuas.

Com o D. recordo muitas vezes tudo o que fizemos por aqui. Por este sítio que brevemente abandonarei. São só as memórias que me obrigam a pertencer aqui para sempre. Quando conversávamos na minha garagem até às 3h da manhã, sobre tudo e sobre nada. Ou quando jogávamos basebol com as nozes das nogueiras da minha mãe. Quando faziamos improvisos a gozar uns com os outros ou quando discutiamos se o Messi era melhor que o Ronaldo.

Sempre foi tudo tão simples. Melhor definição de amigos que tenho na vida, a simplicidade da nossa amizade fazia-nos feliz.

Na tua distância aprendi uma saudade diferente. Aprendi a desejar que voltasses, não só por mim, mas pelo D. que lhe falta o melhor amigo, pela tua irmã que lhe falta a referência, pela tua mãe que lhe falta um dos maiores pilares da vida e sobretudo, por ti, que longe, vais sufocando na dor que carregas enquanto me desabafas: "emigrar é a pior coisa do mundo." - Para os que ficam e para os que vão.

...

Amar não é estar sempre de acordo nem em sintonia. Gostar da mesma música e vibrar com o mesmo clube. 

Amar não é aceitar tudo nem deixar andar o que mal anda. Agir de forma igual ou pedir desculpas que não se sentem.

Amar não é gostar do mesmo nem gostar de ser o mesmo. Deixar de ser para tentar ser igual a alguém, não.

No amor aprendi a ser eu e a deixar ser. Nunca tentei ser igual a alguém que sei não ter igual: tu.

E é mesmo por isso que te amo. Porque te sinto um ser único. E porque me sinto única contigo.

Se calhar há pessoas que não partilham os seus gostos com o outro e se calhar é por isso que mais tarde ou mais cedo o laço se rompe. Se calhar é isso que nos torna semelhantes na nossa diferença. Afirmarmos os nossos gostos embora eles não sejam os mesmos. Partilharmos aquilo que cada um gosta, mesmo sabendo que não são gostos conjuntos. E depois espremer ao máximo aquilo que ambos gostamos, tentando retirar o melhor prazer disso.

Há quem me pergunte como me apeixonei por um sportinguista se eu sempre fui benfiquista ferrenha.

Também há quem me pergunte como é que eu me apaixonei por alguém que quase não suporta rap, se o rap é uma das coisas mais importantes para mim.

Se calhar também me perguntei isso muitas vezes. 

Eu já sei a resposta. Tudo isso faz parte de mim, não dele. E a ele, eu amo-o por aquilo que ele é, não preciso de partilhar o que faz parte dele, mas ainda bem. Ainda bem que ele tem coisas fortes dentro dele que o fazem Ser, porque eu também tenho as minhas.

Não preciso de gostar das coisas que ele gosta, só preciso de gostar daquilo que as coisas que ele gosta o fazem ser.

E gosto muito.

 

Pai.

Nunca gostei muito de falar do meu pai nem na minha família, porque no geral, sempre que o faço emociono-me.

O meu pai, sem dúvida, é a maior referência da minha vida. É o exemplo vivo de humildade e honestidade presente no mundo, reflexo daquilo que sou.

O meu pai sempre gostou de caminhar devagar, muito atento aos outros e ao que eles precisam. Engoliu em seco muito do que os empresários que conhecia diziam, e quem teve um dia como amigos. Nunca gostou de se mostrar porque gosta de ter as coisas para si e não para mostrar aos outros. Caminhou lento enquanto os outros corriam para um mundo que um dia acabou por os engolir, um por um. 

Essas pessoas que um dia o criticaram por não ter um grande carro ou um grande telefone, que o criticaram por ser um patrão tão presente e dedicado e preocupado com os outros, acabaram por cair na miséria. O meu pai continua na luta. Empresário de sucesso que soube ultrapassar como ninguém as tempestades da vida, sempre ao lado da minha mãe e dos 3 filhos que criou. Deu-me tudo o que o dinheiro não compra. 

Não me lembro do último sábado ou domingo que ele não foi trabalhar mas nunca nos faltou amor nem tempo para partilharmos. O meu pai permitiu-me vivenciar tudo. Permitiu-me conhecer lugares fantásticos e assistir ao melhor que a vida tem. Permitiu-me ser livre e feliz. Os meus pais nunca quiseram assumir o controlo das nossas vidas, eles ensinaram-nos a direcioná-las. Isso faz com que, cada um de nós 3 os queira bem perto de nós em todos os passos que damos. 

Eles são o exemplo do correto. São o exemplo que o correto vence sempre no final. Tudo o que eles nos ensinaram, eles mostraram-no em exemplos.

Eles podiam ter um grande carro, até podiam pagá-lo a pronto e ter bem mais que um, mas eles sonham muito mais alto. Eles construiram aquilo que todos estes anos foi sonho. E está quase. Está quase feito.

Os meus pais construiram a escadaria sozinhos, sem ajuda de ninguém enquanto ajudavam os outros. Sei que existe uma legião de pessoas que os admiram muito. Sei que existe muita inveja na minha família que é abafada por todos os de fora que nos desejam bem. E é incrível. Sentir que existe tanta gente que admira o meu pai pelo aquilo que ele é e por aquilo que ele construiu.

É impossível falar mais. Podem todos dizer que têm o melhor pai do mundo. Mas eu nunca vi ninguém a fazer o que o meu faz. Ninguém. Só quem o conhece sabe. Só quem vê sabe. E eu não digo tudo, porque eu não gosto falar do meu pai. O meu pai é das pessoas mais puras e inteligentes que conheço. É uma máquina. Ninguém faz o que ele faz sozinho, acreditem.

O meu pai também é das pessoas mais adoradas que eu conheço. É também das que fala menos. Mas é o que faz mais.

Oferecemos-lhe bilhetes para ir ver o Benfica ao estádio. É daquelas coisas que ele gosta de fazer mas nunca tem paciência para preparar. O meu pai também é das pessoas mais benfiquistas que conheço, reflexo daquilo que sou. 

O meu pai apoia a 1000% os seus filhos mesmo quando não fazemos aquilo que ele prefere.

O meu pai é a pessoa mais incrível que conheço. Um dia disse que gostava de encontrar alguém como ele. Hoje sei que é impossível. Ter um ser único tão perto de mim orgulha-me e ao mesmo tempo assusta-me. Eu sei que conheço o auge.

Amo-te pai. Muito muito.

dos que foram e dos que vão.

A estranheza de querer partilhar tudo com alguém reside no facto do pouco que não partilhas te saber diferente. Um dia disse que quando arranjasse namorado não me afastaria dos meus amigos nem por nada, mas por coincidência isso acabou por acontecer. Pelo meio destes anos tive grandes provas de amizade, embora eu ache que a amizade, tal como o amor não se prova mas sim demonstra-se. Pelo meio também desiludi e desiludi-me. Ao longo da história dos anos o D. sempre assistiu na primeira fila ao mais importante que por aqui passou. Na semana passada desabafou-me: Sabes, eu acho que há pessoas que, dentro de ti, te fazem tanto mal como bem. Às vezes questiono-me se vale a pena a luta. Não sei se foi o facto de ter arranjado alguém que me afastou de alguns, nem sei se, insconscientemente, foram eles que por consequência se foram afastando. Com o L. ganhei uma nova vida, e preservei a minha forma de ser. Também ganhei amigos, os dele. Essa vida que falo fez-me viajar no tempo e no espaço como nunca. E só alguns ficaram. Outros foram. E outros vão partindo, quase sem se fazerem notar. A verdade, é que desses tanto que foram e dos que vão indo, eles nunca se preocuparam muito em querer fazer parte da minha vida. Provavelmente eles me dirão o mesmo. É legítimo. Talvez eu não me tenha preocupado assim tanto em fazer parte da vida deles. Se calhar o D. tem razão e eu já o sabia antes de o consciencializar: há pessoas que, dentro de mim, me fazem tanto mal como bem. E neste ano eu dei prioridade ao que me fez inteiramente bem.

M grande.

Este não é o dia para nos festejarem. É o dia para nos festejarmos.

A todas as mulheres deste mundo: festejem-se. Ser-se mulher é único, nunca se esqueçam de serem Mulheres. Com M grande.

cheira a verão.

Hoje saí de casa para ir almoçar com o meu mais-que-tudo. Arranjei-me elegantemente, vestindo o meu vestido novo que tão bem me realça as curvas e lá fomos nós... Nem foi preciso casaco!! Estava a cheirar a verão, com o sol brilhante e quente rondando os 25 graus.

Depois de almoço, ele teve a ideia magnífica de irmos andar de bicicleta. Ultimamente tem sido uma preocupação fazer desporto, visto que já não há aulas de educação física para nos manter ativos. É diferente quando fazemos as coisas juntos, é melhor.

Fui a casa trocar de roupa e depois lá fomos nós. O parque estava cheio de pessoas felizes, de sorriso aberto e descontraídas já sem se encolherem do frio. Pessoas de calções, manga curta, chapéus para não apanhar sol na cabeça e sobretudo, Vida.

O sol faz-nos esquecer os problemas. Faz-nos felizes no nosso país apesar da situação não ser boa.

O sol recorda-nos do quão bom é isto. Sair à rua e sorrir para o mundo, sentir o calor enquanto uma leve brisa nos percorre os braços nús. Sabe bem este Março.

É por estas que jamais trocaria isto por outra coisa. Há quem diga que emigrar é um ato de coragem. Ficar por cá também é. 

Conheço quem deseje voltar e não pode. Também conheço quem deseje ir. 

Quanto a isso sou descomplicada, só desejo pessoas felizes e dias de sol como este. 

 

Pílula: sim ou não?!

Tenho 19 anos e, recentemente, surgiu-me a ideia de começar a tomar a pílula. Namoro há um ano e tenho uma relação estável, e portanto, como qualquer rapariga na minha idade (acho eu), comecei a pensar em tomar a pílula. Após essa decisão fui ao médico, o qual me passou exames ao sangue, urina, coração e ovários. A semana passada fiquei feliz ao verificar que estou saudável (para uma hipocondríaca como eu não podem existir melhores notícias) e que posso, finalmente começar a tomar a pílula. Contudo, enquanto espero pela consulta com o médico, tenho aprofundado este tema.

Hoje vi uma notícia que me fez recuar. A namorada de uma pessoa que eu admiro muito, morreu há um ano atrás e ontem, saiu a notícia de que a sua morte poderá estar ligada à pílula que ela tomava. 

A notícia é: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/yasmin/pilula-pode-ter-estado-na-origem-da-morte-de-carolina

Entretanto comecei a ver e ouvir relatos de várias pessoas que não se deram bem. A minha mãe já me havia dito que tomou a pílula durante 1 mês, mas houve um dia que se sentiu extremamente mal e que pensou - inclusive - que iria morrer (e olhem que para a minha mãe dizer isto é preciso muuuuito). Nunca mais tomou nada, e ainda bem (diga-se de passagem) se não o "engano" que se deu não estava neste momento a escrever este texto.

Aprofundei o tema e recolhi que praticamente todas as pílulas têm esse tipo de possíveis efeitos secundários relacionados - problemas cardíacos, coágulos no sangue que podem levar a tromboses venosas, embolias etc.

Isto alarma-me. Em minha casa sempre houve uma preocupação gigante em manter a saúde de todos e desde que nasci que me lembro dos meus pais terem regimes rigorosos em relação àquilo que ingeriamos:

Mc Donald uma vez por ano; sumos só ao fim-de-semana; peixe de 2 em 2 dias; fritos raramente; natas só de soja; óleo só vegetal; cozinhar só com azeite; carnes vermelhas só quando o rei faz anos; evitar coisas congeladas ao máximo; doses mínimas de sal; fiambre só de peru ou frango; nada de manteigas com sal; mudar regularmente de marca de leite e água.. etc etc. Recentemente até construiram a sua horta e andam a apostar na agricultura biológica, porque aqueles legumes que se compram no supermercado são tóxicos - dizem. E eu acredito.

E para juntar a tudo isto, uma coisa importantíssima: comprimidos só em última instância.

Eu sei que a alimentação não tem diretamente nada a ver com a pílula, mas a minha pergunta é: Para uma pessoa saudável, que está habituada desde criança a preocupar-se com a sua saúde - e daí a boa alimentação - será inteligente colocar a minha saúde em risco através de algo que não considero essencial?

É muito mais difícil manter uma boa alimentação sem excessos do que não tomar a pílula. E ter uma boa alimentação, é importante para a minha vida e para a minha saúde, já a pílula não trás benefícios para a saúde, apenas evita problemas naturais. Portanto a ideia de que fico é que, a pílula é uma ideia engraçada, mas a minha saúde é muito mais importante do que qualquer problema que eu possa vir a ter se não a tomar.

Talvez estes pensamentos nem passem pela cabeça da maioria das jovens da minha idade.

Na minha turma, por exemplo, praticamente todas tomam a pílula, algumas começaram com 14, 15 anos e no geral, dizem não ter quaisquer problemas. Mas há quem os tenha. A Carolina tomava a pílula há 2 anos, nunca se tinha sentido mal e morreu. Nem sequer houve hipótese de socorrê-la, pois adormeceu numa noite igual a todas as outras, mas naquela, não mais acordou.

Anualmente há registos por Portugal e pelo mundo de mulheres que morrem ou que têm algum problema grave relacionado com a toma da pílula. Acredito que na generalidade das pessoas a pílula não faça mal, mas o que me leva a pensar que não estou na minoria? E como posso estar certa disso? E impossível prever os efeitos que ela vai causar, a curto, médio ou longo prazo.

Se estava decidido que ia começar a tomar a pílula, agora já não estou tão renitente, e, na verdade.. nem sei bem o que fazer.

Será que o conforto da pílula me tratá problemas desconfortáveis? Por enquanto tomar ou não tomar é uma decisão que devo ponderar. E se decidir tomar, será que, na presença de uma má experiência, terei tempo para voltar a escolher deixar de tomar? 

Eu até posso não vir a ter qualquer tipo de problemas. Mas eu nunca saberei se não tomar.

E a questão é, será que compensa o risco?

Para muitos, a pílula é a resolução de todos os problemas, para mim está a tornar-se um autêntico bicho de sete cabeças.

 

 

no caminho da (in)justiça.

Ela calava-se e contia-se à espera que o silêncio rasgasse o ambiente quando já lhe faltara as forças para a luta.

Até que ponto é justo lutar pela justiça? - pergunta-se.

Um dia ensinaram-lhe que a verdade é uma estrada sem caminhos, só que há quem não caminhe lá.

Ela debate-se com a injustiça e abate-se no incorformismo da norma. Nunca quis viver num mundo onde a norma fosse a mentira, e não aceita, que quem a rodeia a veja e não oiça quem se queixa.

Ela diz que é imoral. Pior que habitar no mal é aceitá-lo, pior que o injusto ser normal é apoiá-lo, pior que o engano ser natural é aprová-lo , e ela diz que pior que ser frontal é discordar mas tolerá-lo.

Dizem-lhe que na vida, por toda a parte se encontra quem prefira a ilusão da mentira, mas ela não entende. O ilusório nunca a seduziu, porque ela, nela, e em ela, sempre existiu a vontade de palpar o que lutou para que fosse seu. Suou, chorou, sangrou na luta, e na conquista nem sempre havia uma taça que pudesse erguer, mas ela conhece cada triunfo que mantém dentro de si.

Ela também é boa condutora, mas nunca soube dar boleias. Não é que ela não saiba o caminho até ao destino, não. Ela só acha que o sítio onde quer chegar tem lugares reservados. E há quem se esfole no entretanto a tentar lá chegar. E ela nunca foi cúmplice da cunha. 

EU.

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D