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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

Benfica.

A todos os que não são do Benfica: saboreiem bem essa vitória. Eu estou a saborear a derrota esperando que não volte a saborear tão cedo. Garanto que a derrota não foi tão grande para o Benfica quanto a vitória foi para o Sporting e isso descansa-me. Estive no estádio, aliás, como tive em todos os jogos e ao minuto 70 quando se começou a cantar "Eu amo o Benfica" levantei-me e gritei isso com toda a alma. Com ainda mais alma do que gritei "Nós somos campeões" no final da época passada. Meus caros, o futebol pode ser das maiores parvoíces que existem mas eu gosto mesmo do Benfica. E fico ofendida quando lhe cospem em cima tal e qual como se se tratasse de alguém que gosto. E é por isso e só por isso que este ano o meu desejo é que o Sporting não seja campeão. Desejo isso ao treinador que cuspiu no prato onde comeu 6 anos. Este jogo hoje só me fez aprofundar o meu sentimento pelo meu clube, só me fez correr para o bpi net para pagar a cota do próximo mês e comprar o bilhete para o próximo jogo. Que aqueles minutos fiquem guardados na memória de todos. Hoje, apesar dos 3-0 não me sinto derrotada. Hoje ganhámos todos menos aqueles que pensam que o campeonato acabou. Nem sempre podem ser os mesmos a ganhar, bem sei. Mas aquilo que retiro de tudo isto é que o Benfica podia até acabar o campeonato em último, eu não vou parar de gritar. Porquê? Porque também não consigo parar de sentir. Amo-te Benfica. E é só isto.

café.

No outro dia, em conversa com uma colega da faculdade, iniciámos um diálogo sobre algo que sempre consegui odiar, sim, o café.

Ela disse-me que há umas semanas provou café pela primeira vez. «Eh grande coisa, agora toda a gente bebe café» pensei, sem lho dizer, enquanto a deixei continuar... «Sabes, eu não suportava sequer o cheiro do café. Não gostava sequer que a minhã mãe me viesse dar um beijo com aquele hálito a café, que se tem depois de beber. Não suportava chocolates com sabor a café, nem nada que tivesse esse nome lá metido.» Esta frase prendeu-me a atenção porque exprime na totalidade o meu ódio por esse fruto. 

Pressentia, no entanto, a cada palavra dita pela boca dela, que acabaria por surgir a conjunção que receava.

Não porque não goste de pessoas que bebem café embora, por vezes, me sinta com força suficiente para odiar o mundo, mas porque sabia que nesse instante em que ela proferisse a tal palavra tudo o que até então sentia que nos aproximava iria deseumbuçar um sentimento de desilusão porque afinal, perante mim, tinha uma pessoa igual às outras todas, uma pessoa ordinária, enfim.. mais uma pessoa que gosta de café.

Acabou, então, por surgir o «mas». Contudo, antes de presseguir gostava de salientar o papel que esta palavra desempenha. Deve ser, sem dúvida, uma das palavras mais difíceis de descrever na nossa língua, não querendo tirar esse lugar àquelas que trazem sentimentos imbutidos e que por vezes se revelam impossíveis de definir. Aquilo que sinto relativamente à palavra «mas» é que tão depressa a ansiamos quanto a receamos. Ela prende um suspense doloroso e por vezes assustador, que posso comparar àquelas cenas de terror onde sabemos que existe perigo eminente e ainda assim, esperamos relutantes que a desgraça aconteça. Ela nem sempre acontece, e essa é a melhor face do «mas». É quando está tudo tão mau, tão tenebroso e obscuro que ansiamos tanto o «mas», crentes que na realidade nada possa ser assim tão mau. E é então que ele acaba por surgir quase como anestesiante do nosso órgão, neste caso falo mesmo do coração. 

De volta ao tópico que originou este post, dizia-vos então que o «mas» acabou por surgir.

Ficámos na parte em que a colega me falava da sua (agora antiga) aversão ao café. Antiga sim. Ela tal como eu detestava café «mas quando entrámos na faculdade pensei que tinha de ter algo que me mantivesse acordada e atenta, então comecei a beber café» disse ela. Esta é a parte em que me desiludo. Deixei-a continuar... «agora percebo que não é assim tão mau e não consigo passar um dia sem beber café.»

Depois de interiorizar tudo isto, comecei a pensar, na minha mais pura ignorância, que talvez também devesse experimentar café, porque estou cansada da guerra que faço comigo própria para que os meus olhos se mantenham abertos naquelas aulas logo a seguir ao almoço. 

Além disso, esta conversa com a Maria trouxera-me uma nova esperança. Se ele não suportava café e agora gosta, seria bem possível que acontecesse o mesmo comigo. Além disso toda a gente da minha idade bebe café e mais novos até, por isso - pensei - é a minha hora!

Hoje, quando me deu aquele sono incrível pós almoço, fui à sala de jantar ler todos os tipos de nespresso que existiam em casa. A minha mãe é uma real apreciadora de café, por isso, tenho sempre montes de sabores diferentes. Pensei que fosse inteligente começar por um menos forte, e as caixinhas da nespresso têm numeradas a intensidade de cada sabor, o que é bom.

Escolhi então, um que não fosse muito forte e ainda consegui estragar uma cápsula por falta de jeito e porque o meu pai está sempre a mudar de máquina de café.

Fiz questão de colocar o café na chávena de Álvaro de Campos, uma coleção (entre as tantas que temos em casa de chávenas de café) de Fernando Pessoa e seus heterónimos que aprecio em especial e que só se utiliza quando temos visitas em casa.

Pensei mesmo que um momento como este não podia passar como vulgar, porque não era.

Reunidas todas as condições e com a companhia agradável de Álvaro de Campos, provei o café. O primeiro gole foi horrível. Mas pensei que pudesse ter colocado pouco açúcar, por isso fui buscar mais um pacotinho.

Dissolvi o açúcar calmamente, até porque queria que aquele sabor terrivelmente amargo me saísse da boca antes de voltar a provar o café.

Voltei a beber. E foi igualmente horrível. Nesse momento pensei: acabou. 

Deixei o Álvaro de Campos embebido em café e fui buscar dois quadrados de chocolate na esperança que me ajudassem a esquecer todo este episódio.

Não mais volto a provar café tão cedo. A não ser que no lugar de Campos eventualmente encontre o George Clooney, que é a imagem mais doce que o café me trás.

A conclusão a que chego é que, não vale a pena tentar ser idêntica aos outros. Porque sempre que tento sê-lo, acabo por perceber o quão amargo é ser igual.

Declaro-me anticafé. Seja lá o que for que isto signifique.

não sei.

Esta semana tem sido dura. E eu não costumo dizer isto muitas vezes.

A minha relação com o L já teve melhores dias por muito difícil que seja admitir ou dizer isto. O pior de acontecerem coisas más é depois ter de dormir sobre elas. As dúvidas preenchem-me o cérebro e lidar com tudo isto não tem sido fácil. Nem aqui neste espaço me sinto suficientemente à vontade para falar sobre o assunto em questão e essa é a parte mais difícil de todas. Preciso mesmo que alguém me oiça. Preciso de desabar com alguém.

Tenho falado com a R mas não é a mesma coisa. Nunca pensei que fosse tão difícil distanciar-me dela e sei que ela sente o mesmo. Sinto falta da segurança dos braços dela. De saber que aconteça o que acontecer nós estamos lá sempre sem parar de sorrir.

O D está em estágio agora e faz turnos de noite, folgas ao fim-de-semana é complicado e não tem sido possível estar com ele. Ele continua a ser a pessoa que melhor me conhece. Continua a ser a pessoa em quem eu mais confio. Continua a ser a pessoa que adivinha o que se passa e continua a ser a pessoa que mais me ajuda a decidir. E neste momento sinto que preciso mesmo dele.

Eles os dois são das poucas pessoas com quem eu me sinto à vontade para falar de tudo. Quando eu digo tudo é tudo mesmo e custa-me não tê-los neste momento apesar de saber perfeitamente que as nossas vidas não se cruzam muito neste momento. 

De resto o que me tem safado, são as aulas. Enquanto estou nas aulas tento não pensar em mais nada. Tento aprender o máximo que consigo, dedico-me, esforço-me e quando chego a casa, ou estou com os meus pais e irmãos ou estudo.

Continuo a tentar conhecer melhor algumas pessoas na faculdade, porque considero que seria bom criar boas amizades lá mas a verdade é que eu própria não me sinto preparada para conhecer pessoas agora. É estranho mas é como se de algum modo eu sentisse que ainda não é o momento de as deixar entrar.

Tento criar conversas de circunstância, mas parece-me sempre tudo tão falso. Não sinto que esteja a ser eu própria a falar com elas, porque nem sempre quero dizer o que acho, nem o que sinto, nem o que penso. Não por receio mas simplesmente porque muitas vezes não me apetece contrariar pessoas que não conheço assim tão bem. Não me apetece expor-me sequer. Sinto que sou contida com elas.

Há 4 anos atrás quando fui para uma cidade onde não conhecia ninguém foi mais fácil para mim este processo porque sentia necessidade em conhecer outras pessoas, em ter outro tipo de experiências, também para fugir um pouco àquilo que tinha.

Agora não me sinto assim. Sinto que tenho muita coisa na minha vida mal resolvida. E sinto que preciso de um abraço seguro e isso nenhuma dessas pessoas me pode dar.

Às vezes sinto-me como se fosse uma miúda de 15 anos, carente e a precisar que me oiçam. Sei que possivelmente vão sempre haver momentos em que me vou sentir assim. Isto não tem a ver com maturidade, tem haver com ser humana.

E também pelo facto de eu sentir tanto tudo. E precisar de sentir. Eu preciso mesmo de sentir, seja isso bom ou mau. São as emoções e os sentimentos que alimentam por completo a minha vida. E tenho consciência que sou assim.

E é difícil encontrar pessoas que me façam sentir.

quanto tempo

Às vezes tenho medo daquilo que possa ser sem ti. Que os meus níveis de racionalidade baixem ou simplesmente que seja mais fácil perder-me sem um foco viável por onde olhar. 

No outro dia o facebook lembrou-me que somos amigos há 4 anos. É sempre difícil para mim recordar 2 dos últimos 4 anos. Os primeiros foram sôfregos e tão devastadores que às vezes me fazem esquecer a forma romântica como nos conhecemos. Esse não foi o dia mais feliz da minha vida, mas foi o primeiro dia do resto da minha vida, das nossas até.

O mais estranho do nosso amor é que sei que ao teu lado nunca serei feliz todos os dias e a noção desta ideia é tão recente que ainda me sinto a digeri-la. Nem sequer sei se sou capaz de fazer-te feliz todos os dias, mas tenho me esforçado imenso para que tal aconteça. Toda esta ideia surgiu por um culminar de acontecimentos que aconteceram nos últimos meses e que ainda me fazem sentir distante de ti.

O amor para mim é insaciável, precisa de fogo, de chama, de calor e faz tempos que não sinto isto porque secalhar para ti tudo o que temos chega-te. 

Somos profundamente complexos e a nossa complexidade não se encaixa em quase nenhum lado.

Não acho que o amor se tenha esgotado mas isso poderá vir a ser uma consequência deste conformismo. Mais do que um namorado e um compromisso, preciso de alguém que me acompanhe no que eu gosto e por mais que isso me custe admitir e me custe que assim seja eu não tenho essa pessoa capaz de pôr os seus gostos de lado e acompanhar-me nos meus interesses. 

É como se eu necessitasse incessantemente que alguém me acompanhasse nos meus gostos e tenha de ir buscar essas pessoas a outro lado porque o meu namorado não é capaz de fazer isso por mim. 

Mas depois há sempre momentos em que não é possível ir buscar a outro lado porque a única pessoa que faria sentido lá estar eras tu. São esses momentos e juntamente com os outros que me fazem duvidar, por vezes, se vale a pena. E sempre que se põe esta questão eu não consigo imaginar-me com nenhuma outra pessoa, nem sei se me conseguiria imaginar sem ti.

É uma mescla indefinível de sentimentos.

Às vezes sinto que te estou a trair quando me divirto em concertos, por exemplo, com outras pessoas. Mas depois acabo por perceber que se não fossem os outros eu raramente me divertia. 

Há medida que o tempo passa, tudo isto vai doendo cada vez mais. Eu tenho 19 anos e gostava de viver a minha juventude contigo. Mas não dá. Por quanto tempo será assim?

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