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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

Quem é que se culpa agora?

Estou triste como há muito não estava.

Saí de Lisboa ontem por volta das 17h com rumo a Setúbal para ver um concerto. Fui eu a conduzir, no meu carrinho antigo sem ar condicionado. Parei 2 vezes no caminho porque não aguentava o calor, o sol, o ar quente. 

O concerto foi numa praia. Era meia noite e estavam 33º, a chover. Apanhei chuva o concerto todo, o que serviu para aliviar um pouco do calor que se sentia.

Cheguei ao carro às 2h da manhã e foi quando liguei os dados móveis que soube da notícia. 

Na altura haviam 24 mortes confirmadas. "Fodasse" - disse para o meu amigo. "Nós viemos divertir-nos aqui para um concerto e aqui tão perto, neste país, estão a morrer pessoas. Podiamos ter sido nós neste carro."

Foi um concerto bom demais. Ia deitar-me a pensar nele, inspirada por ele mas isto mudou tudo. Fez-me lembrar o ano passado, quando estava no Super Bock Super Rock e recebi a notícia de um atentado em Nice.

Como é que é agora?

Não temos ninguém a quem culpar disto.

Morreram 61 pessoas até ao momento e, ao contrário do que acontece em atentados, nós não temos uma pessoa a quem apontar o dedo, um grupo, uma entidade. Nada.

Não tenho capacidade para agradecer ao universo, a Deus ou a quem for o facto de eu não estar ali, nem lá estar ninguém que eu conheço. Não consigo. Não estavam os meus, mas estavam os meus dos outros. Que não merecem mais nem menos, simplesmente não merecem. Não podia ter acontecido.

Eu não me consigo conformar sequer com o facto de não podermos culpar ninguém. Mas afinal a culpa não tem de ser sempre de alguém. As coisas acontecem mesmo. Porque a natureza tem mais poder que nós, para nos lembrarmos que não a podemos controlar por muito que tentemos. 

Dói pra caralho. Eu choro e sofro, comovo-me com as imagens, notícias, testemunhos. De tudo o que podia arder, morreram 61 pessoas. Não foi por doença, não foi por má alimentação, não foi por fumarem, não foi por beberem e conduzir, não foi pelo sal a mais que metem na comida, não foi por violência, não foi por atritos nem por um gajo com ideias radicais. Foi por uma merda de um incêndio que nem sequer foi posto por ninguém. Foi azar? Pessoas no sítio errado à hora errada?

É só dor. Apenas isso.

E o ser humano que tem sempre a necessidade de culpar alguém, eu hoje percebo. É difícil de aceitar isto, é difícil de ver as imagens, os números e pensar que isto aconteceu por culpa de ninguém. Não apontamos o dedo a nada hoje. Choramos todos, sofremos e oramos pelo bem estar de quem perdeu tudo. De quem perdeu os mais que tudo.

Vamos ser melhores uns para os outros, vamos aproveitar a vida porque ela é curta, porque não há muito que possamos fazer.

Lamentar e continuar a vida. Aproveitar por quem não pode mais fazê-lo, aproveitar porque quem sabe amanhã não sejamos nós a estar no sítio errado à hora errada.

 

Vale a pena sonhar.

Há precisamente um ano atrás estava numa azáfama, a fazer de tudo para conseguir entrar no curso que queria e na faculdade que queria. Muita luta e muito sonho. Meses depois entrei precisamente onde queria. Com as expectativas elevadíssimas o curso e faculdade ainda me conseguiram surpreender mais. Um ano depois a azáfama é ainda maior. As coisas que tenho para fazer parece não terem fim. Desde as 9h até às 23h naquele espaço. De segunda a domingo. Levantar-me e estudar o que gosto, ir para um sítio que adoro cheio de pessoas fantásticas, ter aulas com pessoas fantásticas... Não tem preço. Nunca estive tão feliz. Nunca fui tão feliz. Sonhei, concretizei. Vale a pena sonhar porque vale a passar por tudo isto, vale a pena ser feliz.

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