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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

a faculdade não é assim tão fixe.

Soube disso na semana em que lá entrei. 

Já passaram quase dois meses e ainda me continuo a sentir deslocada.

Desde que entrei na faculdade que a minha vida é muito, mas mesmo muito mais solitária. Ao início não me preocupava assim tanto com isto mas quanto mais as semanas passam mais sinto o peso desta quase solidão.

Só consigo estar com o L. ao fim-de-semana e, mesmo assim, num tempo muito reduzido porque tenho de estudar para os testes e ajudar os meus pais a começar a embalar as tralhas (sim, vou mudar de casa, mas isso é tema para outro dia). Também almoçamos às quintas (às vezes) e sinto que esse é quase como se fosse o auge das minhas semanas. Não só os almoços de quinta-feira mas também os outros (poucos) momentos em que consigo estar com ele.

Estamos a tentar ultrapassar de forma sã aquela que foi a fase mais complicada da nossa relação e está a correr bem.

Ainda não encontrei pessoas com quem me sinta realmente bem. Só encontrei colegas. Colegas com quem passo as aulas e só isso. Podem crer que almoço sozinha nos dias em que tenho 2 horas de furo. Felizmente estudo em Lisboa, e aproveito sempre para ir à baixa almoçar e ver as montras (isto quando não fico a estudar para um teste na sala de estudo). É uma forma com que o tempo passe mais depressa e também de ocupar a cabeça. 

Estou a gostar das aulas e renovei completamente o meu gosto pela leitura. Não consigo parar de devorar livros e embora muitos dos que tenho lido sejam obrigatórios para alguma cadeira, ainda não senti a pressão da obrigação porque tenho gostado.

As aulas são, de facto, a única coisa boa da faculdade. A única mesmo. Tudo o resto é um completo vazio que tem vindo a assolar a minha vida.

Vim duma escola profissional, uma escola pequena onde tinha ótimas e péssimas relações. Tinha mais péssimas que ótimas mas ao menos... eram relações.

Faziam-me aprender algo a cada dia, e sobretudo, faziam-me sentir. 

Os professores eram amigos com quem sabíamos que podíamos contar. Ria muito. Tinha a minha R. com quem partilhava todos os meus dias e alguns outros amigos que guardo no coração.

Nesta nova etapa da minha vida, sinto falta de sentir alguma coisa. Sinto falta de ter aquela ânsia que fosse a hora de almoço para irmos todos passear e dizer as nossas besteiras que nos faziam rir como nunca.

E até daquelas alturas terríveis onde me chateavam muito e me apetecia partir tudo. Ao menos sentia.

Ali não sinto nada. Não tenho relações nenhumas para além daquelas de: "o teste correu-te bem?" ; "então, já leste o livro X?" ; "olha, percebes-te esta parte da matéria?" ; "tens uma folha de teste a mais?" ; "percebes-te aquela pergunta?". Tudo isto é tão vazio e sombrio.

Eu ando a viver sob a minha própria sombra. Ali só conhecem mesmo a minha sombra. Ninguém conhece mais nada.

Tenho amigos incríveis com quem posso contar. Tenho amigos incríveis que me ligam sempre que se passa algo com eles. Eu ligo-lhes sempre que se passa algo comigo. Mas isso são momentos pontuais.

O resto dos momentos... sou só eu.

Ah e tal a faculdade...

Ai a faculdade... A faculdade é um mundo repleto de vazio. Ali sou só eu.

 

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