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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

ainda.

No meu solitário quotidiano vou encontrando amigos por aí, pelas ruas da cidade. Têm sido as ocasiões vagas que nos têm juntado: o mesmo autocarro, o mesmo comboio, o mesmo metro ou a mera coincidência de pass(e)armos pela mesma rua à mesma hora.

Há também quem me mande, de vez em quando, mensagens de texto saudando um tempo passado que já me parece tão longínquo, mas ainda só passaram uns meros 6 meses. Nessas mensagens costumam salientar a pessoa incrível que dizem que eu sou. Felizmente tenho pessoas que atribuem os mais belos e ousados elogios à minha pessoa.

Acredito. Mas isso vale de muito pouco quando passamos os nossos dias num lugar ermo.

Quando estamos sós já não existe sequer forma de mostrar o que somos, quem somos e os elogios dos outros tornam-se irrelevantes. Já não podes praticar a tua pessoa com eles. 

Quando me apercebi daquilo que acabei de escrever percebi que só havia então uma forma saudável de viver esta vida: encarar o mundo como a minha casa. 

Dito não parece nada de especial. Mas experimentem senti-lo.

Esta minha solidão diária fez-me olhar para os outros nos olhos e fez-me perceber que eu também sou responsável por lhes conferir um dia melhor. 

Então é isso que tenho feito. De todas as formas possíveis e sempre que me surge oportunidade. Nem que seja a levar o meu tabuleiro para o carrinho quando vou comer ao colombo ou ao campo pequeno; ou dar o meu lugar no comboio quando sei que há pessoas mais cansadas e velhas que eu que mais precisam de um assento; até mesmo um obrigada recheado de sorrisos quando nos cedem entrada no metro.

Passei a olhar para o mais pequeno detalhe, porque na verdade, não tenho ninguém com quem me intreter.

Talvez aos olhos de outros a minha vida pareça sinceramente triste. Talvez aos olhos daqueles que acho que me são próximos até.

Mas já não consigo olhar para as coisas dessa maneira. A faculdade, por me proporcionar uma vida solitária está a fazer-me redescobrir o mundo. Percebi que afinal não estou assim tão sozinha. Eu é que ainda não me tinha proposto a olhar para os outros. 

De resto, os meus dias são alimentados por livros e músicas. Esses são os meus únicos companheiros. 

Às vezes fico triste com a vida, mas depois passa. Já aprendi a gerir bem as minhas crises existenciais.

O pior de viver assim é a necessidade que sinto em falar com alguém, falar das minhas coisas, daquilo que me diz respeito e me afecta, não sobre o estado do tempo ou a disciplina X.

Quando a necessidade é muita imagino personagens, reais ou não, na minha cabeça e fico umas horas a falar com elas. Não sei se isto é insano ou é uma estrátégia para me manter sã. 

Também não sei se este texto faz sentido ou não, mas aprendi numa aula de Wittgenstein que quando algo que estamos a sentir é importante não é possível dizê-lo ou descrevê-lo de uma forma que faça sentido. 

Isso conforta-me profundamente.

Por enquanto ainda me sinto relativamente saudável, vá lá ainda não me fartei de mim. Tenho sorte.

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