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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

longe.

A vida obrigou-te a crescer, longe de quem tu um dia prometes-te nunca deixar. E não deixas-te, mas faltas-nos. 

Aí só sobrevives, entre um emprego a que te obrigas e todas as mágoas que aí foste conhecer. 

Já nem é o clima nem a comida, as pessoas nem a língua, mas as desilusões que a cada esquina te recordam que estás vivo: porque doem.

Amigo, não acho que a vida esteja a ser justa contigo. Já não o foi aqui. Quando viste partir teu pai que não voltou enquanto tua mãe trabalhava dia e noite para vos manter com teto, luz e comida. Não o foi quando me mandas-te mensagem a dizer que quem mais amas-te tinha morrido e me apareces-te a chorar. Acho que o teu brilho perdeu-se nesse dia, não mais te encontrei.

A vida não foi justa contigo, quando te obrigou a partir para um país que desconhecias e que tiveste a coragem de enfrentar. Mas foste, foste ter com quem acabou por te desiludir tanto.

Aí estás tu, a lutar pelo regresso, enquanto que cá, a tua mãe luta com as armas que tem por um cancro agressivo que veio em má altura. Nunca é boa altura para se ter cancro, mas agora acabou de dar à luz um irmão que ainda não conheces-te. Às vezes falo com a tua irmã e acho que a vida também a obrigou a crescer rápido. Sei que ela morre de saudades tuas.

Com o D. recordo muitas vezes tudo o que fizemos por aqui. Por este sítio que brevemente abandonarei. São só as memórias que me obrigam a pertencer aqui para sempre. Quando conversávamos na minha garagem até às 3h da manhã, sobre tudo e sobre nada. Ou quando jogávamos basebol com as nozes das nogueiras da minha mãe. Quando faziamos improvisos a gozar uns com os outros ou quando discutiamos se o Messi era melhor que o Ronaldo.

Sempre foi tudo tão simples. Melhor definição de amigos que tenho na vida, a simplicidade da nossa amizade fazia-nos feliz.

Na tua distância aprendi uma saudade diferente. Aprendi a desejar que voltasses, não só por mim, mas pelo D. que lhe falta o melhor amigo, pela tua irmã que lhe falta a referência, pela tua mãe que lhe falta um dos maiores pilares da vida e sobretudo, por ti, que longe, vais sufocando na dor que carregas enquanto me desabafas: "emigrar é a pior coisa do mundo." - Para os que ficam e para os que vão.

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