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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

nós próprios

Desde o verão que ando a dizer que a minha relação com o L já teve melhores dias e na verdade, ultimamente tenho dito isto todos os dias com mais convicção. Como se cada dia piorasse, como se a nossa relação, de facto, estivesse melhor ontem que hoje, todos os dias.

Pouco ou nada falámos esta semana, trocamos algumas mensagens e na quarta-feira ele ligou-me para falar-mos um pouco. Nesse momento percebi que mais vale não falarmos, porque aqueles 5 minutos em que estivemos ao telefone foi a pior altura do meu dia, talvez da semana até. Não discutimos mas até mesmo a falar coisas do dia-a-dia ele me fere com as palavras. Eu queria pensar que ele não faz de prepósito, queria pensar que ele nem se apercebe mas o tom de voz não me deixa pensar assim, o tom de voz dele mudou. E eu já nem consigo decifrá-lo. É como se eu já não conhecesse o meu próprio namorado.

O pior é que eu não sei o que me deixa pior: pensar que a relação chegou ao fim ou pensar que não me sinto a sofrer.

É que é assustador já nem conseguir chorar por uma pensou que marcou a minha vida por completo. Uma pessoa por quem eu sofri, lutei, fui ao fundo e vim muitas vezes e depois uma pessoa que me fez tão feliz como fui ao lado dele.

A rever fotos e textos antigos, não posso deixar de sentir saudades de estar feliz. Amei-o tanto. Perdi-me tanto naqueles olhos. E não consigo deixar de falar no passado. Como se agora eu já não sentisse isso; não sinto.

Ainda não era verão quando ele me levou ao meu lugar preferido. Nunca mais senti tanta paz desde esse dia. Nunca mais me senti tão plena, tão feliz e tão encantada com a vida desde esse dia. Escrevi que o lugar mais bonito do mundo só o era se fosse contemplado com a sua presença; enganei-me. 

Não era ele que fazia o lugar ser lindo, era o amor; esse que já nem sei se sinto.

Talvez eu até nunca mais volte a sentir isso com ninguém mas cada vez estou mais convencida que já não consigo sentir isso com ele.

A semana passada ele disse-me que não suportaria perder-me para alguém. Ainda disse: "perder-te seria mau, mas perder-te para outra pessoa seria muito pior e eu iria aleijar essa pessoa".

Olhei espantada porque nunca pensei ouvi-lo dizer isso. Concluiu: "Não aleijar-te a ti, mas à outra pessoa."

Não sei como hei-de reagir a estas declarações, entreguei-lhe o telefone quando mo pediu desconfiado com quem pudesse andar a falar.

Penso em como é triste não haver mais ninguém. Não existe mais nenhum homem nem nunca existiu. Não foi preciso mais ninguém; nós próprios destruímos aquilo que outrora foi tão bonito. tão nosso.

 

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