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mesmo sítio de sempre.

mesmo sítio de sempre.

Eu acredito no prazo.

Na vida quase tudo tem um fim. O amor é aquilo que nos permite imaginar um sempre, na maioria dos casos não é para sempre, mas um dia pensámos que seria. Eu pensava que era isso que o tornava mágico, e talvez seja. A crença no eterno, ainda que com a consciência do efémero. 

É por isso que não sei se deixa de ser paixão por sabermos, à priori, que a isto está associado um curto prazo. Ou talvez por isso passe a ser mais paixão, não sei.

A vida tem-me demonstrado, ultimamente, que o tempo é mais curto do que aquilo que imaginei. Que três horas podem passar em dez minutos. Que o hoje é o dia perfeito para tudo, não importa a meteorologia nem os compromissos de amanhã. Que eu tenho de fazer o melhor guacamole da minha vida, porque não sei se vou ter oportunidade de fazer-lhe outro. Que eu tenho de dizer aquilo que tenho para dizer agora mesmo e querer ouvir e saber tudo agora mesmo, porque o relógio não abranda se a decisão for pouco a pouco. Que não há espaço para tristeza nem para dúvidas e se houver é partilhado, para que a cabeça não remoa e com isso se desperdicem minutos.

Eu tenho-me questionado se não seriamos mais felizes e mais plenos se soubessemos o dia exato da nossa partida. Talvez isso nos obrigasse a fazer hoje, a viver hoje.

Aquilo que eu tenho vivido, ultimamente, é do mais verdadeiro que já existiu na minha vida. Eu não sabia como era ser assim feliz com alguém. Mas porque sabemos, desde o início, que só temos estes meses. E nada mais. Que isto tem um prazo curto de validade, mas nem por isso deixa de ser mais feliz, e a intensidade com que vivemos isto é muito maior do que se vivessemos na crença de um para sempre.

Eu vou-me certificar que serão meses inesquecíveis. Vou-me certificar que nunca iremos ter um sempre. E que neste curto tempo nada fique por viver. 

início do fim.

Já tenho para aí uns mil rascunhos só de hoje. Não tenho feito mais nada além de tentar desviar os meus pensamentos para outras coisas. Mas eles acabam sempre por me trair.

Hoje foi um dia duro. Por tudo aquilo que ouvi.

A minha relação com o L está presa por um fio. 

Se por um lado existe uma voz que me diz vai. Existe outra que me diz fica.

Ele perde tempo inútil a culpar-me por todos os estilhaços da nossa relação. Grita, atira-me coisas à cara, diz que não faço o que me pede, diz que não sou como me quer. E eu concordo.

Nunca serei. Já não o sei ser. 

Quando olho para aquelas fotografias de há um ano e meio a trás sinto saudade daquele olhar que eu nunca mais encontrei. Sinto saudade do que fomos; tantas.

Mas sei que não mais o podemos ser.

Isto é uma doença e lembra-te, eu sou hipocrondíaca. Irei sempre preferir matar-te a deixar-me morrer em ti. 

Irei sempre preferir curar-me a continuar presa a esta doença. Só o medo me mata. E é precisamente esse medo a causa de ainda estar contigo, depois de tudo o que já tive de digerir.

Acredito mesmo que gostes de mim dessa tua peculiar maneira. Mas não é suficiente. Não andamos na mesma direção.

Sinto que isto é o início do fim. Em parte sinto que queres que vá. Em parte sinto-me a ir. E noutra sinto que já fui.

Dizes-me, pedes-me, gritas-me, quase me obrigas a acabar com isto; mas é difícil. Se fosse fácil tenho a certeza que já o terias feito tu. 

 

não percebo nada de amor.

É esta a conclusão a que vou chegando a cada dia que passa. Não percebo mesmo nada de amor quando já julguei saber muito ou, pelo menos, alguma coisa.

Para ser sincera, a minha relação com o L vai de mal a pior, por muito que me custe esta é a verdade.

O pior é que como estou demasiado envolvida nesta relação (e é normal estar já estamos juntos há dois anos) não consigo distinguir entre aquilo que é normal numa relação e aquilo que é débil e doentio.

Na sexta-feira falei com o D, ele conhece-me melhor do que ninguém e sempre foi uma das maiores referências da minha vida. Como sempre foi sincero comigo e disse-me coisas que me custaram muito a ouvir, embora eu tenha de admitir que ele está certo.

Entretanto passou o fim-de-semana e muitas coisas se passaram nestes dois dias. Eu gostava que alguém me disesse se isto é normal ou não, porque eu estou cega, incapacitada de ver as coisas nitidamente e com alguma racionalidade.

Ontem o L ligou-me de manhã a perguntar se queria ir andar de bicicleta. Achei uma ótima ideia. Ele passou a buscar-me e fomos andar, mas mal a aventura começou acabou-se logo a diversão.

Ele anda muito depressa de bicicleta, quer dizer, mesmo que não seja muito depressa é depressa o suficiente para eu não o conseguir acompanhar. Não conseguia alcançá-lo nem chegar perto dele, além disso, estava à espera de passear à beira rio de bicicleta não propriamente de ir a competir para ver quem chegava primeiro. 

É verdade que eu estou enferrujada por não fazer desporto à imenso tempo, e também é verdade que segunda fui para o hospital, ando há uma semana a antibióticos e ainda não estar a 100% das minhas costas. Também é verdade que não tenho resistência quase nenhuma - mas isto nunca tive, nem mesmo quando era desportista - nem grande força nas pernas para ir ali a pedalar que nem uma louca.

Mas pronto... Ele começou a andar muito depressa e eu não consegui acompanhar, fui apitanto a campaínha para ele ir mais devagar, mas depois deixei-o ir, pensado: "bem, não importa, cada um vai ao seu ritmo e lá à frente encontramo-nos". 

A metade do percurso ele parou ao pé daquelas barras para fazer elevações. Estava chateado. Começou a chamar-me fraca e a dizer que quando pensou convidar-me para ir andar era para irmos os dois juntos. 

Eu sempre me manti serena e disse: "Amor, desculpa mas eu não consigo ir tão depressa quanto tu. Se quiseres podes ir tu ao meu ritmo pois eu não consigo ir ao teu."

A resposta foi: "Tem de ser tudo como tu queres não é? É sempre tudo como tu queres." - disse isto com a voz levantada.

Não respondi. Não acho que valesse a pena. Fiquei desiludida por, mais uma vez, ele não compreender que eu não consigo ir ao mesmo ritmo.

Depois, começou a querer obrigar-me a fazer elevações. Disse que não porque nunca na minha vida tinha conseguido fazer aquilo e, além disso, as minhas costas ainda estavam (e estão) longe de estarem boas. Ia estar a esforçar as costas para nada. Mais uma vez começou a dizer que eu era fraca e que nem sequer me dava ao trabalho de tentar fazer nada. Pegou na bicicleta e continuou o caminho.... Rápido.

Mais uma vez, não consegui acompanhá-lo, mas desta vez também já nem me apetecia fazê-lo por isso tentei manter a calma e aproveitar aquele momento. O momento entre nós foi terrível, mas durante o percurso que ainda demorou uns 20-30min tentei aproveitar aquele sol quentinho de novembro, a brisa leve do rio a bater-me no corpo e a vista que era bonita e bastante agradável. Nesse momento consegui sorrir porque me apercebi que já não estou tão dependente dele quanto estava à um tempo atrás.

Quando cheguei ao final do percurso ele estava parado. Cheguei a pé dele com um sorriso e disse: "Cheguei amor!"

Irritado, pediu-me a carteira dele (que eu tinha guardado na minha mochila) e arrancou para fazer o percurso inverso.

Inguli o sorriso e disse: "Fodasse."

Comecei a andar novamente ao meu ritmo enquanto o via desaparecer no caminho. Passados mais 30 minutos, quando cheguei ao início ele estava lá parado. Ainda eu não tinha parado a bicicleta já ele estava com aquela voz irritada e irónica que eu odeio profundamente: "Eh lá!! Boa, parabéns!! Já chegás-te! Pelo tempo que demoras-te até parece que andás-te imenso!"

Não tenho forças para responder a mais provocações por isso lancei-lhe um olhar profundamente desiludido, enquanto ele continuou: "Porque é que eu ainda tenho estas ideias estúpidas de fazermos alguma coisa juntos... É a última vez que venho andar de bicicleta contigo."

Respondi: "Para mim também é a última."

Discutímos. Ele teimava em dizer que eu não me esforço para fazer nada com ele. E eu teimava em dizer que não conseguia ir ao seu ritmo.

Quando ele disse: "Olha, o melhor é indo para eu não apanhar outra seca à espera que chegues". Nem pensei duas vezes, peguei na bicicleta e fui sem olhar para trás.

Passados 5 minutos ele mete a bicicleta à frente da minha obrigando-me a parar e já está tudo bem. Com muitos abraços e beijinhos para dar, com muitos sorrisos como se porra nenhuma tivesse acontecido.

É sempre assim. Eu não sei como é possível alguém ser tão estúpido num minuto e depois alterar completamente. Obriguei-o a pedir desculpa e depois fiz um esforço para estar bem o resto do dia. Sabia que se dentre de 5min não estivesse bem ele ia-se embora para casa e era só mais uma vez das tantas que eu já fiquei plantada sozinha num sítio.

Hoje foi só mais um outro episódio da saga desta relação. Que eu vou dizer porque sinceramente estou demasiado frustrada para manter isto cá dentro e só amanhã é que vou jantar com o D, até lá ainda - acredito - se vá passar outras tantas.

A minha mãe fez anos e ele veio cá almoçar. Mal chegou notava-se o esforço com que estava a fazer aquilo. Ele detesta almoços com família, ou amigos, ou sei lá, pessoas. Para ele se estivermos só nós os dois é ótimo, embora eu ultimamente acredite que só mesmo quando ele está sozinho é que está bem.

Mas o pior nem foi isso. Ele veio ao meu quarto e começou a ver os tantos livros que estão na minha cabeceira e que ando a ler. Um deles é Cartas de um Sedutor da Hilda Hilst.

A Hilda Hilst foi uma das maiores escritoras brasileiras que eu descobri à pouco tempo e que tive curiosidade em conhecer.

Ela é conhecida pelo seu caráter obsceno, grotesco enfim, pornográfico. Os livros dela não são para meninos de 12 anos, sem dúvida. Mas eu gosto bastante da escrita dela, divirto-me a ler (tem passagens muito engraçadas) e, sei lá, é diferente. Mas sim, tem partes de pornografia e ao folhear o L detestou aquilo.

Ao início começou a brincar com a situação, mas do nada chateou-se e foi-se embora. Segui-o até ao carro e não o deixei ir sem antes me explicasse o que é que se passava.

Vou proferir as suas palavras: "Aquilo é simplesmente nojento e tu lês porcarias daquelas. Quando dizes que não podes estar comigo porque tens de estudar é para quê, para leres aquelas coisas nojentas?"

Com toda a calma do mundo disse-lhe: "Amor.. é só um livro e eu gosto." ... Oh, o que fui dizer.

Começou a discutir e a dizer que eu não sou capaz de pôr os meus gostos de lado por ninguém.

É isto que eu não consigo perceber visto de dentro. Eu não sei, a sério, eu não sei se é suposto eu colocar os meus gostos de lado só porque ele não gosta do mesmo que eu. É que... ele odeia rap, insiste em dizer que não é música, que é terrível e insiste em falar mal, quando rap é só o meu estilo de música preferido.

Fala mal do Benfica quando eu adoro o Benfica, mas isto nem me importa, porque sei que ele não gosta de futebol.

O meu curso?! Ele detesta que eu não tenha entrado no mesmo curso que ele, na semana passada discutímos por causa disto e hoje ele foi capaz de me dizer: "Eu pensei mesmo que tu vinhas para o meu curso, é que assim, era algo que tínhamos em comum e podíamos falar sobre aquilo os dois e apoiarmo-nos mutuamente. Mas tu não, tives-te de ir para um curso diferente, que nem sabes para o que é que te dá mas foste."

E agora, pelos vistos também já não posso ler o que gosto.

Eu não consigo pôr os meus gostos de lado? Que vida é essa?? Ter de pôr os livros, a música, o meu clube e até o meu curso de lada só porque ele não gosta?

Eu não percebo. Eu não gosto de metal mas oiço com ele, se for preciso vou a concertos de metal só porque ele vai, não me interessa a música. Adoro que ele toque guitarra porque é algo que ele faz muito bem e adoro que ele toque aquilo que ele gosta porque sinto que ele é absolutamente feliz a fazer aquilo. Deixo-o falar do jogo de computador em 90% das nossas conversas porque sei que é algo que ele gosta e que se diverte a fazer. Não me importo que ele vá mais depressa na bicicleta porque sei que nos encontramos sempre lá à frente. Isto não é colocar os gostos de lado? Não é isto?

É que ele nunca na vida - já mo disse - virá comigo ver um jogo do Benfica, muito menos a um concerto de rap e eu já nem me importo porque sei que ele não gosta. Não será isto na realidade, incapacidade de pôr os gostos de parte?

Porque aquilo que percebi é que, então tenho de deixar de ler Hilda Hilst porque ele não gosta. 

Quando um amigo dele perguntar: "porque é que te chateas-te com a M??? Ela traiu-te meu? Ofendeu-te? Disse alguma cena que tu não gostas-te?"

Espero que ele tenha colhões para dizer: "Não meu. Chateei-me porque ela lê um livro que eu não gosto."

Ajudem-me a perceber isto. Eu não consigo.

Não percebo mesmo nada de amor. Ah sim, de "amor".

quanto tempo

Às vezes tenho medo daquilo que possa ser sem ti. Que os meus níveis de racionalidade baixem ou simplesmente que seja mais fácil perder-me sem um foco viável por onde olhar. 

No outro dia o facebook lembrou-me que somos amigos há 4 anos. É sempre difícil para mim recordar 2 dos últimos 4 anos. Os primeiros foram sôfregos e tão devastadores que às vezes me fazem esquecer a forma romântica como nos conhecemos. Esse não foi o dia mais feliz da minha vida, mas foi o primeiro dia do resto da minha vida, das nossas até.

O mais estranho do nosso amor é que sei que ao teu lado nunca serei feliz todos os dias e a noção desta ideia é tão recente que ainda me sinto a digeri-la. Nem sequer sei se sou capaz de fazer-te feliz todos os dias, mas tenho me esforçado imenso para que tal aconteça. Toda esta ideia surgiu por um culminar de acontecimentos que aconteceram nos últimos meses e que ainda me fazem sentir distante de ti.

O amor para mim é insaciável, precisa de fogo, de chama, de calor e faz tempos que não sinto isto porque secalhar para ti tudo o que temos chega-te. 

Somos profundamente complexos e a nossa complexidade não se encaixa em quase nenhum lado.

Não acho que o amor se tenha esgotado mas isso poderá vir a ser uma consequência deste conformismo. Mais do que um namorado e um compromisso, preciso de alguém que me acompanhe no que eu gosto e por mais que isso me custe admitir e me custe que assim seja eu não tenho essa pessoa capaz de pôr os seus gostos de lado e acompanhar-me nos meus interesses. 

É como se eu necessitasse incessantemente que alguém me acompanhasse nos meus gostos e tenha de ir buscar essas pessoas a outro lado porque o meu namorado não é capaz de fazer isso por mim. 

Mas depois há sempre momentos em que não é possível ir buscar a outro lado porque a única pessoa que faria sentido lá estar eras tu. São esses momentos e juntamente com os outros que me fazem duvidar, por vezes, se vale a pena. E sempre que se põe esta questão eu não consigo imaginar-me com nenhuma outra pessoa, nem sei se me conseguiria imaginar sem ti.

É uma mescla indefinível de sentimentos.

Às vezes sinto que te estou a trair quando me divirto em concertos, por exemplo, com outras pessoas. Mas depois acabo por perceber que se não fossem os outros eu raramente me divertia. 

Há medida que o tempo passa, tudo isto vai doendo cada vez mais. Eu tenho 19 anos e gostava de viver a minha juventude contigo. Mas não dá. Por quanto tempo será assim?

a diferença. #2

Eu: Quando me conheces-te, nem olhavas para mim.
L: Quando te conheci, não sei. Aqueles almoços nós os dois... Eras uma boa amiga, mas eu falava do que gostava, e tu do que gostavas, não tínhamos nada em comum. Era como se não houvesse nada. Os interesses não eram os mesmos, as conversas...

Eu: Não tenho nada para gostar... Essa doeu.

L: Não, os interesses é que não coincidiam.
Eu: E o que é que mudou? O que nos levou até aqui?
L: Não sei. Isto de continuar a ser difícil de explicar. E de amar tanto uma pessoa com a qual não tenho quase nada em comum.

Talvez seja isto, na verdade, o amor. Será?

passeio.

Ainda não sei o que quero ser quando for grande para além de mim. Ainda não sou o que quero ser mas o que quero ser não sei. 

Às vezes gostava que a vida fosse só isto, passear de mão dada pelas ruas da cidade. Lisboa para mim nunca foi saudade, como lhe escrevem as paredes. Lisboa é o encontro dos que ficaram. Onde brota o amor e onde se guardam os segredos.

Tal como Lisboa, não há chuva nem sol que limite o amor, o nosso. Não sei o que quero ser mas o que serei, quero sê-lo contigo. Com espaço para os demais sem que nos roubem espaço de mais. Numa casa feita de nós: de música, de palavras, de prazeres, de sonhos. Quero o teto pintado de azul para que possa à noite colocar-lhe estrelas. Uma parede branca para que possamos preenchê-la com momentos. Quero uma sala vazia só para poder enchê-la de ti. Ver o teu sorriso do tamanho do sol sempre que me abordas ou acordas.

Gostas de viver na utopia de uma perfeição que sabes que não tenho, e na vida, acreditas que existam muitos prazeres mas o maior certamente é amar-me. 

Eu, só te conheço no amor, nunca te conheci noutra forma ou lugar por isso não sei se o amor existe para além de ti. Nem quero. 

Às vezes gostava que a vida fosse só passear de mão dada pelas ruas da cidade. Mas depois penso que contigo, a vida só pode ser isso mesmo: um passeio. Passos cheios de nós.

...

Amar não é estar sempre de acordo nem em sintonia. Gostar da mesma música e vibrar com o mesmo clube. 

Amar não é aceitar tudo nem deixar andar o que mal anda. Agir de forma igual ou pedir desculpas que não se sentem.

Amar não é gostar do mesmo nem gostar de ser o mesmo. Deixar de ser para tentar ser igual a alguém, não.

No amor aprendi a ser eu e a deixar ser. Nunca tentei ser igual a alguém que sei não ter igual: tu.

E é mesmo por isso que te amo. Porque te sinto um ser único. E porque me sinto única contigo.

Se calhar há pessoas que não partilham os seus gostos com o outro e se calhar é por isso que mais tarde ou mais cedo o laço se rompe. Se calhar é isso que nos torna semelhantes na nossa diferença. Afirmarmos os nossos gostos embora eles não sejam os mesmos. Partilharmos aquilo que cada um gosta, mesmo sabendo que não são gostos conjuntos. E depois espremer ao máximo aquilo que ambos gostamos, tentando retirar o melhor prazer disso.

Há quem me pergunte como me apeixonei por um sportinguista se eu sempre fui benfiquista ferrenha.

Também há quem me pergunte como é que eu me apaixonei por alguém que quase não suporta rap, se o rap é uma das coisas mais importantes para mim.

Se calhar também me perguntei isso muitas vezes. 

Eu já sei a resposta. Tudo isso faz parte de mim, não dele. E a ele, eu amo-o por aquilo que ele é, não preciso de partilhar o que faz parte dele, mas ainda bem. Ainda bem que ele tem coisas fortes dentro dele que o fazem Ser, porque eu também tenho as minhas.

Não preciso de gostar das coisas que ele gosta, só preciso de gostar daquilo que as coisas que ele gosta o fazem ser.

E gosto muito.

 

1.

Os dias deram a volta aos meses e chegámos até onde começámos. Há um ano atrás parecia-me ser sonho. Um ano depois, ainda há vezes em que me parece ser, pelo que és e me dás.

Acho que nunca fomos um só, mas sabemos ser-nos. E eu gosto tanto de ser como gosto que sejas, e é aí que digo ser-te e que tu dizes ser-me. Não quero que sejamos um só, mas quero ser, contigo, enquanto és.

Há um ano que o sol brilha. Fazes-me mais feliz do que eu pensei que fosse possível ser. 

Amo-te como no primeiro dia. E é bom ver que neste processo longo de conhecer profundamente alguém, não me desiludi.

Também sinto que me amas de cada vez que me abraças.

Há um ano começámos a namorar. Não é muito para quem deseja passar a vida a teu lado.

 

 

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